Empreendedores fora da rede

Pesquisa realizada pelo Insper e Santander revela que a maioria dos donos de pequenos e médios negócios do Brasil ainda não usa as redes sociais para se comunicar com os clientes


Os pequenos e médios empresários brasileiros ainda não adotaram as redes sociais como um canal de comunicação efetivo com os consumidores. Apenas 24,5% dos empreendedores têm perfil no Twitter ou no Facebook e usam essas redes para publicar informações. Entre os que disseram ter um perfil, 13,6% não utilizam a plataforma para divulgar a empresa. Cerca de um quarto dos entrevistados (25,6%) revelou que pretende criar um perfil em breve, enquanto 28,5% não têm sequer planos nesse sentido. Há ainda um terceiro grupo, com 7,8% dos entrevistados, que declara não saber o que são redes sociais.

A pergunta foi feita a 1.200 empresários de todo o Brasil, como parte da pesquisa Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios, realizada pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) em parceria com o banco Santander. Os dados foram coletados entre os dias 1º e 5 de março de 2012. Empreendedores das áreas de indústria, comércio e serviços estiveram entre os participantes do estudo.

“Esse resultado revela que boa parte dos empreendedores não está usando bem a internet”, diz Cesar Fischer, superintendente de Pequenas e Médias Empresas do Santander. “Muitos deles ainda não entenderam o potencial das redes sociais como alavanca de negócios.” Para José Luiz Rossi Júnior, professor do Insper, os números refletem alguns problemas de infraestrutura no país. “O acesso à internet é desigual”, diz ele. “Em muitas cidades, não é nem mesmo possível entrar na web.” No Nordeste, por exemplo, o índice de empreendedores que declararam desconhecer as redes sociais chegou a 12%.

Além de responder sobre suas práticas nas redes sociais, os empresários que participaram da pesquisa também foram questionados sobre as perspectivas para a economia no segundo trimestre de 2012. O Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN) teve o melhor resultado para o período desde que foi criado, em 2008: o indicador alcançou 75 pontos, contra os 73,3 pontos do trimestre anterior. O estudo, realizado a cada trimestre, mede a confiança do empreendedor em relação ao período seguinte, em uma escala de 0 a 100 pontos.

Para Fischer, do Santander, a cifra retrata o otimismo do empresário em relação ao crescimento da economia neste ano. “O resultado anterior já sinalizava esse sentimento de confiança”, diz ele.

Segundo Rossi, o empreendedor percebe que o governo federal está preocupado em encontrar medidas de estímulo ao crescimento e que as notícias do cenário externo já não são mais tão ruins. “Na visão do pequeno e médio, os negócios tendem a melhorar nos próximos meses.”

Praticamente todos os indicadores tiveram algum crescimento: o índice de confiança na economia foi de 74,3, contra 71,6 do trimestre anterior. Enquanto isso, o número relativo a faturamento chegou a 79,6, registrando um crescimento de 2,8 pontos em relação ao valor anterior. Apenas o índice de geração de emprego ficou estável, em 68,1 pontos.

Na opinião de Rossi, do Insper, o número reflete cautela, já que a contratação de novos funcionários demanda um comprometimento maior no médio e no longo prazo.

(Pequenas Empresas & Grandes Negócios – 01/04/2012)