Esqueça os Millennials! Todas as gerações merecem atenção do mercado

Empresas precisam se preparar para a gestão de colaboradores de diferentes idades

Há três gerações dominantes atualmente no mercado de trabalho: Baby Boomers (nascidos entre 1945 – 1964), geração X (1965 – 1984) e geração Y (1985 – 1999). Essas pessoas nasceram em épocas diferentes, portanto, possuem hábitos e valores distintos. Para que elas possam trabalhar em conjunto, é necessário que as empresas adotem práticas de gestão focadas na inclusão.

“A tendência é que as empresas tenham um corpo de funcionários formado por multigerações: desde pessoas que estão perto dos 70 anos até os que acabaram de entrar no mercado, com seus 20 e poucos. Então, por que as companhias só pensam nos Millennials?”, questiona Luciana Ferreira, professora do Insper e pesquisadora da área de Comportamento Organizacional. E lembra que as organizações precisam também saber se preparar para a gestão da diversidade de gerações.

O tema foi um dos tópicos de um curso de verão que Ferreira ministrou na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, em julho último. As dez aulas abordaram a diversidade de gênero, raça, orientação sexual, deficiência, idade, entre outras.

Foco nos experientes

A população mundial está ficando cada vez mais velha. Só no Brasil, o número de pessoas acima dos 60 anos deverá triplicar até 2050, ultrapassando a média global. De acordo com o Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma nação envelhecida tem mais de 14% de sua população com idade acima dos 60. O Brasil deverá alcançar a marca de 30% nas próximas décadas.

Isso significa que a população está vivendo mais e, consequentemente, permanecendo mais tempo no mercado de trabalho. Só que boa parte das empresas não pensam em abraçar essa faixa etária. Para elas, o futuro está nos mais jovens e os mais experientes estão se tornando obsoletos.

“Precisamos acabar com certos estereótipos em relação aos mais velhos. A geração Baby Boomer não tem necessariamente menos energia do que os Millennials. Isso é um mito”, afirma Ferreira. A professora também destaca que é preciso parar de chamar a atenção para as diferenças entre as gerações e começar a focar nas semelhanças.

Para diminuir a desigualdade, a professora do Insper aconselha as empresas a adotarem certas práticas como, por exemplo, mudar a forma como as vagas são anunciadas. “Está na moda fazer um vídeo no lugar de enviar o currículo. Os mais velhos certamente já saem em desvantagem. Isso porque eles podem não ser tão experts quanto os mais novos quando o assunto é gravar, editar e enviar conteúdo multimídia. E, o pior: na maioria das vezes, saber editar um vídeo não é relevante para o trabalho que a pessoa vai fazer”, afirma.

Diversidade na prática

Com o intuito de não discriminar ninguém, o network internacional da PwC possui um time focado na diversidade e inclusão. Os profissionais devem criar estratégias para acolher pessoas de diferentes idades. Erika Braga, gerente de recursos humanos da companhia, explica que são usados diversos meios de comunicação para alcançar todos os públicos. “Temos rede social interna, além de newsletter e vídeos curtos que são ideais para os Millennials. Já para os mais experientes, oferecemos um jornal impresso”, revela.

Outra iniciativa propagada pelo PwC é o programa Mentoria Reversa, no qual os principais líderes da empresa “ganham” um mentor de outra geração. A ideia é que eles troquem experiências entre si e passem a complementar o trabalho do outro.

Embora o PwC seja um ótimo exemplo de gestão, ainda não há muitas empresas seguindo estas diretrizes. Ferreira alerta: as companhias estão perdendo o timing de discutir o conflito de gerações. “Com a previdência social incapaz de dar conta da aposentadoria e o aumento da expectativa de vida, está mais do que na hora de o mercado se adequar”, conclui a professora.

Sobre o curso de verão

A Universidade de Aarhus, na Dinamarca, tem um projeto aberto a professores do mundo inteiro para ministrarem cursos de verão, enquanto os docentes estão em férias.

A professora Luciana Ferreira se inscreveu e foi aprovada com o curso Diversity in the Workplace. Ela ministrou 10 aulas que abordaram todo tipo de diversidade: gênero, raça, orientação sexual, deficiência, idade. Ela foi a única representante da América Latina na edição deste ano.

O Insper também mantém uma parceria com a universidade para intercâmbio de alunos. Conheça mais sobre as parcerias internacionais.