Como avaliar desempenho em escolas públicas e privadas

Dupla de doutorandos do Insper vai apresentar trabalho na tradicional Academy of Management

A ideia nasceu de um trabalho para a cadeira de Econometria II e de um desafio proposto pelo professor Naercio Menezes Filho: como utilizar os dados do ENEM para avaliar o efeito de práticas gerenciais no desempenho acadêmico das escolas?

Os doutorandos Thomaz Teodorovicz e Leandro Nardi decidiram enfrentar esta pergunta e perceberam a oportunidade de conectar duas visões teóricas de strategic management.

A primeira avalia a diferença sistemática de desempenho de instituições com base nos recursos que possuem, a chamado Resource-Based View. A segunda explica a diferença de desempenho, potencialmente no curto prazo, a partir da adoção heterogênea de práticas e ações gerenciais, a Practice-based View. O objeto de estudo foi a performance de escolas públicas e privadas no Enem.

Desenvolvido em conjunto com os professores orientadores Sérgio Lazzarini e Sandro Cabral, o paper acaba de ser aprovado para apresentação, em agosto, na Academy of Management – tradicional instituição que reúne profissionais e acadêmicos de management, fundada em 1936, com sede em Nova York.

“Nossa motivação inicial foi avaliar se o fato de ser uma escola pública ou privada fazia diferença no potencial impacto de práticas gerenciais adotadas pelas escolas no desempenho de seus alunos”, diz Teodorovicz. “Diversos professores nos apoiaram, e continuam nos motivando, a perseguir esse tema, como nossos orientadores e co-autores, além do próprio Naercio, que nos desafiou a iniciar este trabalho.”

Práticas adotadas

Os resultados iniciais mostram que, apesar de existirem diferenças entre públicas e privadas, a influência das práticas adotadas nas escolas permanece consistente independente da rede de ensino. “Aprendemos que importa mais o que se faz concretamente, as práticas adotadas, do que a origem a escola, se pública ou privada”, afirma Nardi.

Entre as práticas analisadas estão a gestão de conflito entre alunos e funcionários, a organização de horários, eventos e até passeios para fora dos muros da escola. Ainda que a escola privada agregue qualidade, por conseguir pagar melhores salários e com isso atrair bons professores, por exemplo, o uso de racional de recursos e boas práticas de gestão em algumas escolas públicas diminuiriam a distância de performance.

“Pequenas coisas podem fazer diferença”, complementa Teodorovicz. Ele cita o exemplo da informatização. Depois de medir a relação entre computadores e funcionários, o trabalho mostra que recursos mínimos, que influenciam o desempenho esperado das escolas, são também critérios para a adoção de práticas que potencializam o desempenho das instituições de ensino.

“A qualidade também melhora com professores e diretores bem qualificados e recursos mínimos adotados”, completam os autores. A falta de recursos, afirmam, é o maior problema das escolas públicas.

“A literatura acadêmica costuma ser segmentada, com uma visão que enfatiza a diferença de desempenho como resultado de recursos únicos e outra, ainda emergente, voltada às práticas adotadas pelas instituições. O que propomos em nosso trabalho é unir estas visões”, conclui Nardi.