Revolução tecnológica na indústria aponta caminhos para o crescimento econômico do Brasil

Especialistas alertam que o País precisa priorizar essa pauta

Se no fim do século XVIII as máquinas a vapor revolucionaram o mundo, agora é a vez da tecnologia cibernética transformar a indústria. O movimento é chamado pelos economistas de 4ª Revolução Industrial e garante mudanças radicais no modo de produzir e consumir.

A tendência é de automatização total das fábricas através da tecnologia robótica e cibernética, com isso setores como Financeiro e Agronegócios já avançam no Brasil. Exemplo claro é o mercado financeiro. Bancos e empresas estão trabalhando cada vez menos dentro de agências e escritórios e estão apostando em espaços digitais.

“A revolução não se limita à evolução dos meios, mas também daquilo que é produzido. O produto ganha qualidade. Além de reduzir custo, a evolução digital tem impacto direto no valor e qualidade do produto”, defende Humberto Pereira, vice-presidente de Engenharia da Embraer.

Outro exemplo, segundo o engenheiro, é a troca do aplique manual de rebites em aeronaves por robôs e máquinas. A medida substitui uma atividade humana que poderia causar falha grave e agrega valor ao produto, justamente por aumentar a segurança.

Por sua capacidade transformadora, o nome do movimento faz referência às três revoluções industriais já conhecidas. A primeira, no fim do século XVIII, substituiu a produção manual pela mecanizada. A segunda, no século seguinte, trouxe a eletricidade, que permitiu a produção em massa. A terceira se deu a partir da chegada da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Produtividade no campo

A agricultura também demonstra grande avanço tecnológico. Recursos que até pouco tempo eram vistos como futuristas, hoje são usados de forma regular dentro do setor. Como é o caso do uso de drones e imagens de satélites em grandes produções rurais, com o intuito de potencializar investimentos e garantir melhores resultados de produção.

Para Mariana Vasconcelos, fundadora da Agrosmart, a agricultura está passando pelo processo de digitalização, porque é necessário para o avanço da produtividade. “Vivemos em um cenário de necessidade do aumento de produção de alimentos. Isso faz com que a agricultura entre em uma agenda de preocupação global. Estamos deixando de ser exportadores de agricultura para sermos exportadores de tecnologia”, defende.

Essa startup é exemplo de tecnologia no campo que está sendo exportada – a empresa atua na América Latina. A plataforma da empresa usa sensores e imagens de satélite para sugerir ações, como tempo de irrigação, previsão do tempo mais precisa e melhor momento para aplicação de insumos para os agricultores. “É a digitalização da tomada de decisão dentro do campo”, conclui Mariana.

Situação no Brasil

Países mais desenvolvidos, como Japão, Alemanha e Estados Unidos, adotam medidas tecnológicas inovadoras dentro da indústria com maior rapidez e eficiência. Isso significa que a 4ª Revolução Industrial beneficia também a relação internacional entre as grandes potências e, se isolar de um movimento global, é um problema para a economia de qualquer país.

“A revolução digital é decisiva para o futuro do Brasil. No entanto, ainda estamos muito atrasados no debate e na implementação em comparação ao que estamos vendo no resto do mundo”, alerta Octavio de Barros, co-fundador e sócio da Quantum4, empresa voltada para soluções tecnológicas.

É consenso que a nova Revolução Industrial é o caminho para uma economia mais forte e consistente. Aumento de produtividade e redução de custos são desafios enfrentados por todos os setores da indústria e uma revolução tecnológica pode trazer novas perspectivas para a economia.

Nesse sentido, é urgente que o Brasil entre em uma agenda de futuro para implementar novas tecnologias. Para os especialistas, as reformas da Previdência e do Trabalho ajudariam a implementar novas tecnologias e entrar no circuito da 4ª Revolução Industrial.

“Hoje, o Panamá e o Chile são mais ricos que o Brasil. Nós resolvemos ficar para trás. Entramos em uma agenda absolutamente equivocada a partir do final dos anos 2000. É surpreendente que essa agenda já tinha fracassado na década de 1950 e resultou em uma década e meia perdida para a economia”, comentou Marcos Lisboa, presidente do Insper.

Tema em debate

Para fomentar o debate sobre a nova revolução industrial, o Insper sediou o encontro “O Brasil e os Desafios da 4ª Revolução Industrial: a Economia Política do Futuro”.

O evento faz parte da série Diálogos Estratégicos e foi promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República, por meio da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, o Ministério da Fazenda e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

O painel “Haverá uma 4ª Revolução Industrial no Brasil? Desafios Políticos e Econômicos” teve a participação de Humberto Pereira, vice-presidente de Engenharia da Embraer, Mariana Vasconcelos, fundadora e CEO da Agrosmart, Octavio de Barros, sócio da Quantum4, Antonio Márcio Buainain, economista e pesquisador do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com abertura de Marcos Lisboa, presidente do Insper.

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