Presidente do BC fala sobre economia brasileira em evento no Insper

Em conversa exclusiva para alunos da graduação, Ilan Goldfajn destacou a importância da retomada da confiança para o país voltar a crescer

De 2003 até 2010 houve um aumento significativo no preço das commodities no mercado internacional. Esse boom foi favorável para o Brasil que, em média, cresceu 4% ao ano. O fim desse ciclo, entretanto, gerou impasses. A instabilidade econômica decorrente foi tratada pelo governo apenas como um choque temporário, que duraria no máximo um ano. Ocorre, porém, que até hoje o país e boa parte do mundo não se recuperou totalmente da crise.

Para falar a respeito da situação econômica atual, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi convidado pela InFinance, organização estudantil do Insper, para conversar com os alunos dos cursos de economia, administração e engenharia. Organizado em parceria com o Centro de Finanças, o evento aconteceu no dia 4 de novembro no auditório Steffi e Max Perlman.

Cenário atual

O baixo crescimento da economia global, o fim do super-ciclo de commodities e políticas internas inadequadas conduziram o Brasil à crise atual. Chegamos a 12 milhões de desempregados, inflação de quase 11%, expectativa de queda do PIB de 7% no período entre 2015 e 2016. Sem contar que o investimento cedeu por dez trimestres consecutivos. “Com isso, acabamos chegando não só a uma crise econômica, mas política e ética também”, disse Goldfajn.

Para o presidente do BC, o motivo que levou à recessão foi a falta de confiança. Com a queda nos investimentos e no consumo das famílias, a produção caiu e o desemprego aumentou.

Reformas: a solução

Para voltar a crescer, o Brasil deve trabalhar em reformas que façam as pessoas acreditarem que o cenário vai mudar. Ele destacou a importância de aprovação de duas reformas fiscais, a do teto dos gastos e a da Previdência, que ajudarão a restaurar a confiança e criarão condições para a recuperação econômica, com inflação baixa e estável.

“É necessário mostrar que o futuro é melhor do que o presente”, afirmou. Porém, vale lembrar que quando um país está pagando suas dívidas, o crescimento tende a ser mais lento.

Todo ponto negativo, entretanto, tem seu lado positivo. Segundo Goldfajn, estamos num processo de desinflação. O ritmo e a magnitude da flexibilização monetária serão avaliados pelo BC ao longo do tempo, de modo a garantir a convergência da inflação para a meta de 4,5%.

Agenda do BC

O presidente da autoridade monetária também apresentou aos alunos a agenda de prioridades do Banco Central e seus quatro pilares.

Começando pela cidadania financeira, a necessidade de se educar e incluir mais pessoas no sistema financeiro; passando pela mudança no marco legal do BC, incluindo a autonomia da instituição por lei; pela redução dos custos do crédito; e pela busca de mais eficiência no setor financeiro.

A agenda atual de política econômica contribuirá para que o Brasil entre nos trilhos e se fortaleça para enfrentar novos desafios. “Para termos uma economia mais resistente, devemos ter os fundamentos econômicos em ordem”, explicou.

Segundo o presidente do BC, o país apresenta todos os pontos para se tornar mais bem preparado para enfrentar crises e fortes volatilidades. Agora é trabalhar e esperar a resposta do mercado.