Insper Jr. Entrevista Claudio Haddad

Espaço do Presidente
Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Atual presidente do Insper, membro do conselho da BM&F Bovespa e ex-diretor do Banco Central, Claudio Haddad, comenta à Insper Jr. Consulting sobre a atual situação da falta de mão de obra, a crise logística no Brasil e o posicionamento de instituições de educação de massa, de alto nível e do BNDES perante esses déficits.

 

Insper Jr.: Eduardo Gianetti cita que os Milagres Econômicos no Brasil acontecem apenas por um curto período de tempo, não conseguindo sustentar o crescimento, tanto por causa do déficit de capital físico, quanto humano. Como você classifica esses dois pontos?

Haddad: Apesar de uma parte do Milagre ter sido resultante das reformas do PAEG, entre 1964 e 1967, para o investimento e o crescimento terem continuidade, eles devem ser feitos em áreas aonde há alto retorno. E o que aconteceu visando o Milagre não foi isso.

O capital físico não só é escasso no Brasil como também é preciso ver aonde é que ele está sendo empregado para que tenha o maior retorno possível. O capital humano brasileiro também é escasso, apesar de ser muito produtivo para a renda.

Um dos grandes fatores que explicam o crescimento no Brasil nesses últimos anos foi o chamado boom demográfico, que representa o aumento da população ativa. O impacto do capital humano foi baixo porque a educação tem evoluído lentamente. No longo prazo, você aumenta a produtividade educando melhor, mas, no curto prazo, é quando vai se dar a alocação de capital e o que for  preciso para que esse seja mais produtivo.

 

Insper Jr.: Então tudo se resume em empregar bem o dinheiro do governo?

Haddad: Como em qualquer empresa, assim como no governo, deve-se aplicar da melhor maneira possível seu capital escasso.  Alocar recursos de setores produtivos e eficientes para aqueles que não o são não favorece o crescimento econômico.

 

Insper Jr.: Você citou a necessidade de uma melhoria na educação para o aumento da produtividade. Como você vê hoje a educação no Brasil e como acha que o governo poderia intervir positivamente nesse meio?

Haddad: O governo intervém demasiadamente na educação e o problema talvez seja esse. O resultado tem sido ruim, mas a questão não é a quantidade de escolas no Brasil, pois quase todas as crianças em idade escolar estão estudando. O problema é a qualidade: o professor não cumpre as horas-aula, os alunos não se esforçam e ninguém é responsabilizado. Não há nenhum incentivo para melhorar a educação, com isso fica difícil ter resultado.

 

Insper Jr.: Quanto ao BNDES, qual deveria ser a sua atuação na educação?

Haddad: Não acho que o BNDES deveria ter um papel na educação, pois sua atuação deveria ser dentro do setor de infraestrutura e a favor de realizar um trabalho de coordenação e eliminação de gargalos, além de complementar aqueles projetos em que o retorno social é claramente superior ao privado. Entretanto, não é bem o que o BNDES tem feito ultimamente. O BNDES tem dado empréstimo para empresas que não precisariam. Ou seja, está captando recursos e não os empregando, necessariamente, da melhor forma.

 

Insper Jr.: Você falou da baixa qualidade escolar. Ao olhar para o setor privado verificamos que algumas empresas estão aproveitando esse gap de educação e investindo bastante. Como você acha que essa atuação nas universidades de massa vai impactar o Brasil? Será que a qualidade vai cair na mesma armadilha das escolas públicas?

Haddad: É melhor ter entidades de ensino superior que atendam a massa, mesmo que a qualidade ainda não seja das melhores. Como o ensino médio já não é de muito boa qualidade, apenas nas uma pequena parcela da população consegue ir para universidades e faculdades de ponta e absorver o conteúdo. Mesmo que lentamente, o consumidor ficará mais exigente e demandará uma equação de valor melhor.

 

Insper Jr.: Em termos de educação de qualidade, o Insper atua majoritariamente no ramo de administração e economia. Entretanto, está iniciando os cursos de engenharia. Por quê? Você acredita que é um gargalo?

Haddad: Eu acho que é onde nós podemos agregar mais valor no momento. O ideal é atuar de maneira bastante sinérgica e interativa entre todos os programas. Pensamos em qual engenharia poderíamos gerar mais benefícios. O empreendedorismo propicia vantagens ao que oferecemos no Insper. As áreas de engenharia que teriam uma interação com os cursos de administração e economia e formariam empreendedores seriam: mecânica, sistema de computação e a junção das duas, mecatrônica. Outra área que nos interessa é a bioengenharia, que está avançando muito. Nosso objetivo é formar engenheiros que sejam multidisciplinares.

 

Insper Jr.: E o que você acha da educação pros próximos anos no Brasil?

Haddad: Daqui a uns trinta anos, pode ser que haja um momento em que o capital humano no Brasil esteja bastante profissional. Atualmente, há uma escassez de mão de obra que poderia ser suprida por pessoas qualificadas do exterior. No curto e médio prazo, isso seria importante para o governo focar, pois ainda existem muitas barreiras para conseguir um visto de trabalho no Brasil.

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 TEDx Tombo 2010 with Claudio Haddad

Claudio Haddad, conta um pouco do início do Insper por meio de sua trajetória empreendedora.

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