Discurso de Claudio Haddad durante a 23ª Formatura da graduação do Insper

Espaço do Presidente
Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Caros colegas diretores, professores, colaboradores e amigos do Insper. Prezados pais, parentes, amigos e demais entes queridos dos formandos aqui presentes. Caros formandos.

É sempre um enorme prazer participar da formatura da graduação. Esta é a nossa vigésima terceira cerimônia. Embora sejamos uma escola ainda jovem, com vocês já teremos quase 2.000 alunos formados em nossa graduação.

Neste ano, temos dois marcos históricos importantes a lembrar. O centenário da primeira guerra mundial e o meio centenário do golpe militar de 31 de março de 64.

Quando eu nasci, a primeira guerra havia sido eclipsada pela segunda, até certo ponto, consequência daquela. A primeira guerra, além de causar enorme destruição, com 10 milhões de combatentes e 7 milhões de civis mortos, mudou o mapa e as estruturas políticas e econômicas do mundo.  Como argumentam os historiadores, o século XX começou com a primeira guerra.

Minhas primeiras referências quanto a esta guerra vieram de relatos feitos por minha avó, quando eu era criança, sobre a Gripe Espanhola que se espalhou pelo planeta, inclusive no Brasil, logo após seu término. Estima-se que entre 30 e 40 milhões de pessoas, mais do triplo dos mortos em combate, tenham perecido pela gripe, que encontrou terreno fértil para se espalhar na destruição causada pela guerra e pela ausência na época de antibióticos, que só chegaram a mercado na década de trinta.

Já no caso do golpe de 64, eu tinha dezessete anos, morava em Laranjeiras, no Rio de Janeiro e pude acompanhar os acontecimentos da rua, indo e vindo do Palácio das Laranjeiras, onde se concentravam as tropas do exército e fuzileiros navais, em princípio leais ao presidente Jango Goulart e o Palácio da Guanabara, onde a Polícia Militar, comandada pelo governador Carlos Lacerda, estava barricada atrás de caminhões de coleta de lixo. Ao final da tarde, sem que nenhum tiro fosse disparado, as tropas federais aderiram às estaduais, Jango foi deposto e iniciou-se um novo período na história do Brasil, para o bem e para o mal.

O século passado foi de extremos. Transformações, que trouxeram enorme progresso, junto a experimentos sociais que resultaram em tragédias monumentais. O Brasil felizmente esteve distante das principais destas e, apesar das crises ocasionais, cresceu a taxas elevadas nas primeiras oito décadas do século, multiplicando por 7 sua renda per capita entre 1900 e 1980.

De lá para cá, apesar de o país ter evoluído enormemente, o crescimento perdeu ritmo.  Passamos 15 anos, entre 1980 e 1995, tentando ajustar a economia e, mesmo após o bem-sucedido Plano Real, o país tem crescido lentamente.  A aritmética dos juros compostos é implacável. Se a renda per capita brasileira tivesse crescido nas primeiras oito décadas do século passado à taxa verificada de 1995 até 2013, ela teria se multiplicado apenas por 3 ao invés de por 7. Um ponto percentual a mais em um prazo longo de tempo faz uma enorme diferença.

O fato é que, por diversas razões e apesar de manifestações em contrário, crescimento econômico deixou de ser prioritário no Brasil neste novo século. O debate político e as medidas dele resultante têm dado prioridade a consumo, redistribuição e conservação, ao invés de, ao investimento, a ganhos de produtividade e ao crescimento.

A meu ver, esta é uma falsa escolha.  Assim como uma empresa sem lucro acaba morrendo, distribuir sem crescer o bolo é inviável, tanto política quanto economicamente, pois a conta não fecha.  Tirar do rico para dar ao pobre sem, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade e o tamanho do bolo só leva à ruína.  A Venezuela é um exemplo trágico disso. Já crescimento que enriquece apenas um pequeno grupo de agentes em detrimento da imensa maioria, além de indesejável, também se provou insustentável ao longo da história.

O Brasil é um país de renda média. Ainda está longe do grupo de desenvolvidos, onde deveria ser nosso objetivo estar. Crescimento gera riqueza, cria empregos e aumenta, de forma natural, a receita fiscal, permitindo que o governo execute mais programas sociais, distribuindo renda.  Com mais recursos pode-se tratar melhor o meio ambiente, com bom senso, sem radicalizações, além de se desenvolver novas tecnologias que contribuirão para este fim. Os países que mais cuidam do meio ambiente hoje são os ricos, que mais o agrediram no passado e, se não fosse essa agressão, não teriam chegado aonde chegaram.

Argumentar que qualidade de vida e não o nível de renda deveria ter prioridade pode ser importante para quem já é rico, mas não para a maioria da população brasileira que não dispõe de sistema de esgoto, recebe uma educação de baixa qualidade e enfrenta enormes problemas de deslocamento nas áreas urbanas, além de uma longa fila no SUS.  Um amor e uma cabana pode ser um lindo sonho, mas não costuma aguentar um mês de realidade.

A verdade é que o Brasil progride, porém a passos lentos. Só como exemplo, a China faz mais linhas de metrô em um ano em Xangai do que toda a malha existente em São Paulo.  Já aqui, fazer qualquer investimento significativo em infraestrutura torna-se uma verdadeira Via Crucis.  Nossos principais vizinhos na costa do Pacífico da América do Sul, Chile, Peru, Colômbia e México têm crescido mais rápido do que nós, apesar de termos mais recursos e uma escala muito maior.

Vocês formandos terão grande responsabilidade para inverter este processo. Aonde quer que vão, procurem gerar o maior valor possível. Crescimento econômico nada mais é do que o somatório destas inúmeras gerações de valor.  Seja no setor privado, com ou sem fins lucrativos, ou no governo, usar eficientemente os recursos à sua disposição para impactar positivamente suas organizações e o país deve ser sua principal missão social.

Para tanto, é preciso conhecimento, capacidade de trabalhar em time, pensamento crítico, habilidade para resolver problemas e, acima de tudo, foco e determinação. Tenho certeza que a experiência educacional que vocês tiveram no Insper lhes desenvolveu, se não todas, a grande maioria dessas competências.  O resto dependerá de vocês.

Podem estar certos de que aqui vocês deixarão gente que estará torcendo por vocês e sempre disposta a recebê-los de braços abertos, seja em atividades de Alumni, troca de ideias, programas de mentoria, fóruns de governança ou para as múltiplas atividades e iniciativas que temos na Escola.

Continuem perto de nós e tenham orgulho de pertencer à comunidade Insper.  Este orgulho de pertencer, incrustado em nosso nome, é chave para perenizarmos a nossa Escola. É fundamental para que daqui a outros 50 anos, quando não estarei mais aqui, vocês possam afirmar para seus netos: estudem no Insper, onde eu estudei, pois ela é a melhor Faculdade do Brasil.

Parabéns a vocês formandos. Desejo-lhes, de coração, muitas felicidades.

Obrigado.

26/03/2014

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