Alumni em Destaque | Soft skills

Este é um espaço para o destaque das soft skills na formação e na consolidação das carreiras dos alumni Insper. Conheça histórias inspiradoras que só foram possíveis com soft skills bem desenvolvidas e entenda qual a importância delas em diferentes áreas do mundo corporativo.


A diferença que as soft skills fazem

A alumna Frances Fukuda, formada em Administração no Insper, considera os conhecimentos técnicos fundamentais para a entrada em grandes organizações. Mas credita às habilidades socioemocionais o crescimento profissional dentro delas

 

A alumna Frances Fukuda posa para foto sorrindo e com os braços cruzados. Ela veste um blazer preto.

Nesta entrevista inaugural da série Alumni em Destaque: soft skills, conversamos com Frances Fukuda, alumna formada em 2003 com menção honrosa no curso de Administração do Insper. Esta é uma inciativa do Comitê Alumni de Desenvolvimento Profissional e Empregabilidade, que busca colocar em pauta as habilidades socioemocionais desenvolvidas na escola e também durante as carreiras profissionais de ex-alunos e ex-alunas.

Frances aproveitou as oportunidades que teve em sua trajetória no Insper, fazendo parte da Empresa Jr. e de outras entidades estudantis. Ela também fez intercâmbio em Londres, na Cass Business School, e estagiou no setor de telecom e no mercado financeiro.

Depois de formada, ingressou na fabricante de bebidas AmBev como trainee e ficou lá por seis anos, atuando em áreas como Gente e Gestão e Vendas, até assumir a área de gestão das operações da América Latina. Também faz parte da experiência internacional de Frances um MBA na Wharton Business School, na Philadelphia, Estados Unidos. O retorno ao ambiente acadêmico despertou interesse por outras áreas, o que a levou a um estágio no Advent, um fundo de private equity.

Ainda no ramo financeiro, em 2012, ela começou sua jornada na Warburg Pincus, focando em investimentos em diversos setores, como varejo, consumo, saúde, educação, logística e tecnologia. A Warburg Pincus é um dos maiores fundos globais de private equity, com mais de US$ 60 bilhões de ativos sob gestão e um histórico de mais de 50 anos investindo em empresas de alto crescimento. De 2012 a 2019, a alumna fez parte do time de investimento, passando por cargos de associate, vice president e principal.

Atualmente, Frances é diretora do fundo e lidera a área de value creation, atuando como membro do Conselho de Administração das empresas Petz, Sequoia Logística, Superlógica Tecnologias e Instituto Órizon. É também membro suplente dos conselhos da Eleva Educação e AmericaNet, além de participar de Comitês Executivos da Camil Alimentos, Take e Blu. Confira a seguir um bate-papo sobre a importância das soft skills na carreira de sucesso de Frances Fukuda.

 

Como você considera que começou o desenvolvimento das suas soft skills?

Eu fiz vários cursos que certamente me ajudaram a refletir sobre elas, e esse exercício é fundamental. Mas é na prática que o desenvolvimento de fato acontece. E esse ciclo de aprendizado não começa na vida profissional, vem (ou deveria vir) desde cedo. Hoje, uma das minhas soft skills que as pessoas mais destacam profissionalmente é a habilidade de me comunicar, de expressar minhas opiniões de maneira assertiva e de me relacionar com pessoas. O que poucas pessoas sabem é que eu fui uma criança introvertida, que demorava para fazer amizades na escola. O balé teve uma contribuição enorme nesse processo, pois subir ao palco inúmeras vezes para encarar o público fez com que eu superasse minha timidez ainda na fase da infância. Me ensinou muito também sobre disciplina, persistência e determinação. Com 10 anos de idade, eu pegava um ônibus sozinha todo final de semana e viajava por 2 horas para uma cidade vizinha para fazer um curso de dança avançado para o qual tinha recebido bolsa. Essas situações, que acontecem de forma tão natural nas nossas vidas, são as que deixam marcas mais profundas na nossa personalidade.

Qual a importância do Insper no desenvolvimento de suas soft skills?

As diversas iniciativas que o ambiente acadêmico proporciona também são fontes riquíssimas de desenvolvimento. Na faculade, eu fiz parte do grupo que fundou, no Insper, o GAS – Grupo de Ação Social, que para minha alegria e orgulho existe até hoje. Passar uma temporada com o professor Carlos Melo e um grupo de alunos em São Paulo do Potengi, interior do Rio Grande do Norte, para ajudar no desenvolvimento econômico e social da cidade, ao mesmo tempo que colocávamos em prática o que aprendíamos em sala de aula para ser bons administradores, foi um intensivão de empatia. A desvantagem de ser uma das primeiras turmas do Insper é que não tinhamos nada comparado à estrutura que a escola tem hoje. No entanto, ao mesmo tempo, tínhamos muita abertura para empreender e inovar, pois todas as entidades estudantis estavam sendo criadas do zero. Além disso, essas iniciativas promoviam um grande senso de colaboração e trabalho em equipe. Participei também da Empresa Jr., acumulando os projetos de consultoria com a função de diretora financeira, que foi ótima oportunidade para exercitar minha capacidade de liderança ainda num ambiente controlado.

E depois de formada, como ocorreu esse desenvolvimento?

Depois de formada, tive experiências que trouxeram aprendizados importantes muito cedo na minha carreira. Ao final do programa de trainee da Ambev, empresa na qual ingressei, nós podíamos escolher a área em que gostaríamos de ser alocados. Decidi então começar minha carreira em Gente e Gestão, não porque eu quisesse ter uma carreira em Recursos Humanos, mas naquele momento eu tinha entendido que se um dia eu almejasse assumir uma posição de liderança, quanto antes eu aprendesse sobre de gestão de pessoas, mais preparada eu estaria. Carreguei comigo essa lição quando me tornei gerente de vendas, ainda muito jovem, sem experiência nenhuma na área e sendo mulher em um ambiente predominantemente masculino (na época, quase não existiam mulheres na área comercial, muito menos em posições de liderança).

O fato de se mulher foi uma barreira?

Eu lembro até hoje meu primeiro encontro com o time, eu puder ver claramente um ponto de interrogação no rosto de cada um deles. Levou algum tempo até eu ganhar a confiança do time e ir vencendo as barreiras do preconceito, proporcionando uma experiência de aprendizagem mútua e grandes realizações. Ter trabalhado para operações de vários países também me ajudou a compreender diferentes perspectivas e a lidar com a diversidade cultural. Essa adaptabilidade foi ainda mais importante na minha transição de carreira para o mercado de private equity, quando sai da realidade de uma multinacional para entrar num mundo de empresas menores, muitas delas familiares. Nesse momento da minha carreira, eu, que já tinha liderado vários times, passo a exercer uma liderança mais indireta, tendo que influenciar por meio dos conselhos de administração e aprimorando minha capacidade de persuasão, relacionamento e pensamento crítico.

Qual a importância das soft skills no desenvolvimento de carreiras de modo geral?         

Eu tendo a acreditar que hard skills têm um papel relevante como porta de entrada nas organizações, principalmente no início da sua carreira, mas são as soft skills que te mantêm crescendo dentro delas. Mesmo para posições mais júniores, em que a gente acaba testando muito hard skills (conhecimento de contabilidade, finanças, modelagem, raciocínio lógico, inglês etc), os jovens estão vindo tão preparados que esses conhecimentos passam a ser mandatórios para você se qualificar para o processo. Mas eles não diferenciam você. Ou seja, com as hard skills virando uma commodity, a diferenciação naturalmente vem das soft skills. Eu costumo dizer que é fundamental fazer sua autoavaliação e ter um grau elevado de autoconhecimento para saber seus pontos fortes e suas limitações, e saber jogar isso a seu favor. Como as soft skills são mais difíceis de mensurar, é impressionante como existem gaps de percepção. Então ser muito crítico na sua avaliação e honesto consigo mesmo é metade do caminho, lembrando sempre que podem existir diferenças entre “ser” e “parecer”, que devem ser trabalhadas.

E qual a dica para quem está ingressando no ambiente corporativo?

Nesse processo de desenvolvimento, eu considero efetivo você constantemente se colocar em situações que o tirem da zona de conforto. Quanto mais cedo você focar nas habilidades em que tem dificuldades, melhor. Vai chegar um ponto da sua carreira em que o seu foco naturalmente vai estar nas suas fortalezas, mas pelo menos você chega lá tendo evoluído em outras habilidades que podem ser complementares ao que tem de melhor a oferecer. Ter bons mentores ajuda muito. Pessoas que tenham abertura para dizer “a real”, tocar na sua ferida e que tenham interesse genuíno no seu progresso. Igualmente importante é saber o que você quer e ter uma certa dose de confiança de que você vai chegar lá. Ser determinado e resiliente, não deixando que ruídos externos atrapalhem seus objetivos.  Em todos os desafios que assumi na minha carreira, houve algumas vozes tentando me convencer de que não valia a pena tentar, pela baixa probabilidade de dar certo. Ainda bem que não dei ouvidos, porque as minhas maiores realizações vieram dessas situações, cujas chances eram baixas. Mas quem liga para estatística quando se tem garra e determinação?

Quais soft skills são importantes particularmente na área de investimentos?

O ambiente de private equity é extremamente dinâmico. Você tem que aprender muito rápido sobre um determinado setor e entender profundamente o modelo de negócio de uma companhia. E muitas vezes tem que lidar com companhias muito distintas, com culturas diferentes e em diferentes estágios de maturidade. Isso exige um certo grau de flexibilidade, pois a fórmula de sucesso de uma companhia não necessariamente se aplica a outra. Resiliência também faz parte do nosso dia a dia, pois avaliamos inúmeras empresas, mas o processo é muito seletivo e são poucos negócios que de fato serão fechados. São tantas variáveis que a gente não controla que fazem um deal morrer, que a gente aprende a ter resistência à frustração. E são ciclos longos, às vezes leva anos entre você conhecer o empreendedor e a companhia estar pronta para receber um aporte de capital.

Qual a diferença que as pessoas fazem em setores como esse?

Não tem como não dizer que esse é um business de gente. Afinal, a planilha Excel aceita tudo, o difícil é fazer as premissas do seu modelo virarem realidade. E isso só vai acontecer por meio de pessoas. Nós podemos ter a melhor tese de investimento, as melhores condições de mercado, o melhor modelo de negócio, mas se não tivermos as pessoas certas para conduzir o plano de crescimento, dificilmente conseguiremos os retornos esperados. Saber “ler” pessoas, avaliar potencial e atrair talentos é determinante no nosso negócio. Private equity é também um setor em que o risco é uma parte intrínseca do negócio. Nós buscamos retornos mais altos sobre o capital investido, o que demanda dos profissionais coragem para tomar decisões, aceitando a parcela de incerteza e os riscos associados a elas. Por fim, é necessário ter uma grande habilidade de relacionamento e capacidade de influência para lidar com nossos investidores, sócios, empreendedores, times de executivos das companhias e parceiros. As discussões estratégicas com esses stakeholders vão exigir uma comunicação efetiva, boa argumentação e habilidades de negociação. Muitas vezes temos que gerenciar conflitos, por isso é importante ter empatia sempre.

Quais soft skills você considera mais importantes na hora de definir uma contratação para sua equipe?

As soft skills desejadas podem variar conforme função, senioridade e cultura organizacional. A contratação para uma companhia do portfólio pode exigir habilidades diferentes de uma contratação para o fundo. O melhor analista financeiro da Faria Lima não necessariamente será um bom CFO (chief financial officer, o principal executivo de finanças). Para nosso time interno, por exemplo, a gente sempre avalia habilidades como iniciativa, colaboração, organização e comunicação. E, no final, a gente sempre se faz esta pergunta: eu vejo esse candidato com potencial para ser um futuro sócio da firma? Mas, no geral, tem uma característica que eu particularmente busco em qualquer contratação. Gosto de trabalhar com pessoas de atitude, proativas, determinadas. Pessoas com brilho nos olhos e faca nos dentes. Essas pessoas aprendem rápido e fazem acontecer.

 

Alumni em Destaque | Soft Skills - Frances Fukuda. Graduação em Administração no Insper. Trabalha no setor de pivate equity, como Diretora na Warburg Pincus. Suas pricipais soft skills são: comunicação, resiliência, iniciativa, empatia e flexibilidade

 

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