[{"jcr:title":"Novos desafios para qualificar o gasto público no Brasil","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"À frente da coordenação executiva do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Insper, Gabriela Lacerda atua no desenvolvimento de parcerias voltadas ao aprimoramento da qualidade do gasto público","authorDate":"26/03/2026 15h40","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Novos desafios para qualificar o gasto público no Brasil","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Criado para apoiar o aprimoramento da qualidade do gasto público no Brasil, o [Observatório da Qualidade do Gasto Público ](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-qualidade-do-gasto-publico) do Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP) do Insper  [foi lançado](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/politicas-publicas/insper-lanca-o-observatorio-da-qualidade-do-gasto-publico-com-debate-sobre-planejamento-avaliacao-e-revisao-das-despesas-do-estado)  oficialmente em 30 de janeiro deste ano, em evento realizado na escola. A coordenação executiva da iniciativa está a cargo de Gabriela Lacerda, cuja trajetória combina experiência em gestão pública, monitoramento e avaliação de políticas e trabalho voltado ao uso de evidências na tomada de decisão. Gabriela se define como “uma capixaba que nasceu na Bahia”. Nascida no sul baiano e de família capixaba, mudou-se ainda criança para Vitória, onde construiu sua formação e iniciou a vida profissional. Graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo, em 2005, e, desde cedo, se envolveu em movimentos de formação social e participação estudantil. Na universidade, participou de iniciação científica, extensão e pesquisas em áreas como antropologia, sociologia e povos e comunidades tradicionais. Esse início ajuda a entender uma característica que permanece no centro de sua atuação: o interesse por pesquisa aplicada. Ao longo da graduação, Gabriela desenvolveu estudos sobre comunidades quilombolas e patrimônio cultural. Seu trabalho de conclusão de curso tratou da narrativa de uma liderança quilombola feminina e, nos anos seguintes, ela aprofundou pesquisas sobre quilombos urbanos e referências culturais. A escolha pelas Ciências Sociais tem raízes precisas. Na adolescência, Gabriela participou da Pastoral da Juventude Estudantil, movimento ligado às comunidades eclesiais de base, com forte ênfase na discussão dos problemas da sociedade. “Muito nova, eu já estava em cargos de responsável da Pastoral por Minas e Espírito Santo”, recorda. Foi nesse ambiente que se formou sua preocupação com desigualdade e desenvolvimento. “Eu queria me dedicar a uma profissão em que pudesse, de alguma forma, contribuir para a sociedade.” Com o tempo, essa disposição tomou a forma de uma linha de atuação bastante definida: produzir conhecimento com foco em formulação, implementação e revisão de políticas públicas. Essa trajetória ganhou seus primeiros contornos práticos durante a graduação, com pesquisas no Incra sobre territórios quilombolas no Espírito Santo, entre 2005 e 2006, e, em seguida, com iniciativas do Iphan/Unesco voltadas ao patrimônio imaterial de comunidades pomeranas e quilombolas, entre 2007 e 2009. Do Ministério da Justiça ao governo do Espírito Santo O passo seguinte levou Gabriela ao Ministério da Justiça. Em 2009, ela soube da abertura de um concurso público para sociólogo em Vitória e decidiu se candidatar. O cargo a colocou no gabinete do ministro, na articulação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o Pronasci. Permaneceu no ministério até 2014, trabalhando na interface entre União, estados e municípios e na elaboração de metodologias de investigação social. Ao falar sobre esse período, ela o descreve como “uma grande escola”. Quando o ministério passou por mudanças e o trabalho deixou de oferecer os desafios que buscava, Gabriela decidiu seguir para o governo do Espírito Santo. “Meu olho não estava mais brilhando”, diz. Em 2014, aceitou o convite para o governo capixaba, onde iniciou como assessora especial na Secretaria de Estado Extraordinária de Ações Estratégicas e, depois, atuou como secretária de Estado de Ações Estratégicas e, na sequência, como subsecretária de Estado de Direitos Humanos. Nesse período, coordenou uma pesquisa com 6.200 jovens em territórios com altos índices de homicídio, estudo que ajudou a fundamentar o desenho de uma política de redução da violência no estado. O avanço da agenda de avaliação Em 2017, Gabriela assumiu a presidência do Instituto Jones dos Santos Neves, onde permaneceu até 2018. Sob sua gestão, o instituto participou da criação do Sistema de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas do Espírito Santo, considerado pioneiro no país no âmbito do Poder Executivo estadual e com um objetivo central de aprimorar a qualidade do gasto público. A experiência consolidou uma visão que Gabriela sintetiza de forma direta: “Minha preocupação nunca foi ‘vamos só avaliar’, mas o que essa avaliação vai resultar numa mudança de tomada de decisão”. Sob essa perspectiva, sua gestão no instituto também incluiu um guia prático de avaliação em parceria com a Fundação Getulio Vargas, um modelo preditivo de abandono escolar e um Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado para a Região Metropolitana da Grande Vitória, com horizonte de 30 anos. Concluída essa fase, Gabriela ampliou sua atuação em cooperação institucional. Entre 2019 e 2020, coordenou o Programa Justiça Presente, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, voltado ao sistema prisional e socioeducativo. Em 2020 e 2021, atuou como consultora do Banco Mundial em iniciativas de fortalecimento de sistemas de monitoramento e avaliação, em parceria com o Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados, sediado na Escola de Economia de São Paulo da FGV, onde permaneceu até 2025 com projetos no Brasil e na África Lusófona. O eixo principal permaneceu o mesmo ao longo de toda essa trajetória. “O que me move é pensar processos de governança e estratégia na gestão pública que vão impulsionar a forma como pensamos, formulamos e implementamos políticas públicas”, afirma. Paralelamente, Gabriela concluiu a especialização em Direito Constitucional, em 2014, e, entre 2022 e 2024, o mestrado profissional em Economia na FGV. A escolha pela área veio de uma lacuna sentida na prática: “Eu tinha tanta experiência na parte qualitativa que achei que seria bom aprimorar a parte quantitativa. Era presidente do Instituto Jones e tinha que apresentar projeções do PIB”, recorda. A dissertação tratou de uma avaliação ex ante do mercado de carbono regulado no Brasil. Um novo ciclo no Insper Foi durante esse período que surgiu o convite para participar da criação do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Insper. Como coordenadora executiva, Gabriela passa a atuar em uma agenda que dialoga diretamente com sua trajetória profissional: o uso de evidências para melhorar decisões públicas e qualificar a alocação de recursos. No Observatório, sua atuação deve envolver a elaboração de indicadores, ferramentas, estudos e diretrizes capazes de apoiar gestores públicos no aperfeiçoamento do gasto. A proposta inclui também o desenvolvimento de formações e treinamentos para servidores e lideranças, além da construção de parcerias com União, estados e municípios. A ideia é contribuir tanto com a produção de conhecimento aplicado quanto com sua tradução em instrumentos úteis para a gestão pública. Ao falar sobre esse trabalho, Gabriela destaca que uma das prioridades é estruturar referências que possam ser usadas de forma recorrente pelos governos. “Queremos pensar em indicadores da qualidade do gasto público que possamos publicar recorrentemente, que isso ajude a gestão de alguma forma”, afirma. Outro eixo importante, segundo ela, é organizar ferramentas e diretrizes que apoiem gestores na revisão e no aprimoramento de políticas públicas. A experiência acumulada em governos, organismos internacionais e centros de pesquisa ajuda a explicar essa aposta. Ao longo da carreira, Gabriela trabalhou em temas como monitoramento, avaliação, revisão de gasto e fortalecimento de capacidades estatais. Agora, no Insper, essa trajetória converge para uma iniciativa voltada justamente a dar maior densidade técnica e institucional ao debate sobre gasto público no Brasil. Sua leitura sobre o tema parte de uma ideia simples: “A questão não é só o volume de recursos, é como estamos gastando”. Em sua avaliação, o Brasil avançou na institucionalização do monitoramento e da avaliação, mas ainda há espaço para transformar esse progresso em decisões mais consistentes e em políticas mais eficazes. Nesse processo, ela vê o Observatório como um espaço de articulação entre produção de conhecimento, formação de capacidades e apoio técnico a governos. “Não é só o lado técnico, mas como unimos o lado técnico e político para promover mudanças importantes na gestão pública”, conclui."}]